MOMENTO DE REFLEXÃO!

Não faça nada daquilo que possas te arrepender, pois, se o arrependimento vier não terás o que fazer

sábado, 18 de setembro de 2010

2º CANDEEIRO DA POESIA E DA CANÇÃO.

O símbolo do festival: Candeeiro!
Passamos ao evento: no último dia 16/09, estivemos integrando a lista de poetas e compositores que fizeram o 2º Candeeiro da Poesia e da Canção, evento este promovido pelo Centro de Tradições Gaúchas Sinuelo do Pago, aqui em Uruguaiana, onde participamos com uma poesia em parceria com o grande músico, compositor e radialista Jaime Ribeiro, e que foi defendida no palco por Douglas Neves, este declamador lá de Santa Vitória do Palmar que está arranchado por aqui, na Fronteira Oeste. Destacamos aí, a grande performance deste guri, que já possui premiação no Enart como declamador e se constitui numa grata surpresa pra gente que ainda não o conhecia. A obra: "Quando me afeito" ficou com o 2º Lugar do festival, e o Douglas com o 2º lugar na declamação. A todos, gracias.


Douglas Neves, no palco: brilhante!

Premiação do 2º Lugar declamação, representamos o Douglas.


E aí o troféu pelo 2º Lugar Poesia.









QUANDO ME AFEITO

O fio da navalha acaricia minha face,
os olhos se fascinam com o brilho do aço,
um outro me olha de dentro do espelho,
copia meu gesto, imita o que eu faço.

Os gestos inversos, e olhares se cruzam,
e então me dou conta, que eu sou assim,
perguntas ocultas me afloram da mente.
Será que há uma alma que habita em mim?

Vislumbro o reflexo do aço no aço,
e busco curioso tentar entender;
saio de mim e viajo ao espaço
lá onde se esconde o divino saber.

Enquanto me vejo no aço do espelho,
e a navalha me fere a face judiada,
revejo meu pai me dando conselhos,
que perdi pela vida e não guardei nada.

Depois que aos poucos a face se renova,
e um novo homem, renasce do espelho,
enxergo o novo brotando do velho,
e vejo meu filho no rosto vermelho.

E o filho que eu vejo quando me afeito?
Será minha alma refletida no aço?
Então, entendo que Deus é perfeito,
a imagem é o futuro ocupando espaço.

A lógica do aço é sempre coerente:
primeiro o passado na face judiada;
depois o espelho imita o presente
e o novo renasce na face barbeada.

E quando me afeito, me sinto contente,
pois, sei que o tempo não vai me vencer,
enquanto definha o meu ascendente,
é o meu descendente que torna a nascer.

E quando me afeito, aprendo a lição
que a vida é ligeira, e é fio de navalha,
enquanto eu tento cumprir minha missão,
o tempo me foge, escapa e não falha.

O aço do espelho me mostra a verdade,
que ontem fui filho, mas hoje sou pai,
e o fio da navalha, que corta o antigo,
recria o novo, pois o velho se vai.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

OLHOS DE LUA.

Se teus olhos se disfarçam de lua
pra vir mirar-se em minhas aguadas,
rebusco ânsias que também são tuas
pra cumprirmos juntos a nossa jornada.

O dia em que descobrir teus segredos,
nossas distâncias não mais existirão;
teus olhos de lua pousarão sem medos
na calma aguada do meu coração.