MOMENTO DE REFLEXÃO!

Não faça nada daquilo que possas te arrepender, pois, se o arrependimento vier não terás o que fazer

domingo, 25 de julho de 2010

DESENCONTRO.

Onde estavas tu?
Quando meus cristais se partiram;
Quando nas madrugadas molhadas,
meus passos ecoaram nas calçadas
na busca frenética por paixão.

Onde estivestes tu?
Quando meu coração,
afogou mágoas em fel,
na mesa de um bordel.

Onde estavas tu?
Enquanto a juventude
fugia-me entre dedos,
e eu buscava na orgia
algo que fosse magia
para esconder meus segredos.

Onde estava ... eu?
Quando surgistes radiante,
como uma estrela brilhante
na noite quente do Verão.
E agora? De que me adianta?
Não tenho mais energia,
não tenho mais a alegria
dos meus tempos de antes.

Tudo saiu errado!
O tempo, o meio e o espaço.
Do lodo onde afundei
brotastes exuberante.
Como o lírio que extrai
beleza e perfume
do pântano mal-cheiroso,
tu fizestes das minhas mazelas
as tuas iluminadas passarelas.
Depois, desfilastes ignorando-me,
pois não sou digno da tua luz,
e o que resta-me é a cruz
do malfadado desencontro.

sábado, 10 de julho de 2010

OS TRES JOÃOS.


Franco Ferreira e Daniel Cannes, deram vida ao trabalho da gente! Gracias irmãos.

Os três joãos.
I
Eram três “Joãos” diferentes.
Três destinos amarrados,
embora, sendo afastados
pelas convenções sociais.
Laços de honra e morais
prendiam as suas vivências;
eram herdeiros da querência,
e, não a deixariam jamais.
II
“João Ninguém” era andejo,
que vagava pelo brete,
conhecia bem os macetes
de enganar a sua miséria;
vivia a fazer pilhérias
da sua sina aragana.
Ria da existência insana,
e de não ter ambição séria.
III
“João Alguém” o média-classe
se ajustou como empregado,
era sempre comandado
e tinha pouca opinião;
sua meta era um galpão,
e um churrasco no braseiro,
Trabalhava o dia inteiro
pra enriquecer o patrão.
IV
O ricaço, “João Tabém”,
este sim, era entojado;
andava sempre bem pilchado
e a guaiaca com dinheiro.
Metia-se em entreveiros,
só pra gastar “a la farta”,
ou para arriscar nas cartas
o lucro do ano inteiro.
V
Na grande e falada estância,
não entrava “João Ninguém”.
Tinha ordem pro “Alguém”,
expulsá-lo da porteira.
Que fosse pra carreteira
viver de chuva e de vento;
que tirasse seu sustento
da caridade breteira.
VI
Quando o sul faz cara feia
e a necessidade aperta,
é sempre porteira aberta
por onde passa a fome,
se vai a moral de um homem
quando o couro sente frio,
e a barriga entra em cio
quando a boca nunca come.
VII
“João Ninguém” fez uma bobagem
quando o pavor desceu pra faca,
laçou e carneou uma vaca
do plantel do “João Tabém”.
Nunca pensou que o “Alguém”
rondasse a volta do mato,
e usasse um “Quarenta e quatro”
para abatê-lo também.
VIII
A tragédia estava armada,
pois, morreu o “João Ninguém”.
A prisão do “João Alguém”,
foi apenas consequência.
Sumiram dois joãos da querência
por falta de sensatez,
o que cada homem fez
foi buscar sobrevivência.
IX
Se o avarento ajustasse
o “Ninguém” de peão campeiro,
talvez, dobrasse o dinheiro
que trazia na guaiaca,
desgraça que rico ataca
entre os pobres não se cria,
e o “Ninguém” nunca seria
andejo e ladrão de vaca.
X
A ganância, cria o monstro
e faz o mal perpetuar,
o estancieiro, só fez negar
uma chance ao teatino,
selando assim, o destino
de dois terços da querência
sem exame de consciência
ou do ensinamento divino.
XI
Que chance teve o Ninguém,
de escolher o seu caminho?
Pois, deixaram-lhe sozinho
sem direito, e sem a lida.
Negaram-lhe casa, comida,
o respeito e a hospitalidade,
que um cidadão de verdade
reponta por essa vida.
XII
João Alguém foi recolhido
por vender o seu trabalho,
era apenas um espantalho
a serviço do estancieiro.
O Tabém foi o primeiro
a negar-lhe uma ajuda,
se a sorte do jogo muda
se afasta até o coimeiro.
XIII
Comparando duas eras:
da miséria e da escravidão;
onde o pobre é sem galpão,
não tem bóia ou dignidade,
que os escravos na verdade
tinham feijão e senzala.
O “Ninguém” ganhou só bala,
por paga da sociedade.
XIV
Desde o princípio do mundo
que as coisas dão-se assim,
não se acha nunca o fim
do caminho da ganância
e em qualquer circunstância
quem domina é o joão nobre,
e obedece o peão pobre
porque precisa da estância.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

XII PEALO DA POESIA CAMPEIRA DO ALEGRETE.




A elite gaúcha da poesia esteve reunida em Alegrete-RS, neste dia 03/07/2010, para a realização de mais uma edição do bem sucedido festival "Pealo da Poesia Campeira de Alegrete". Em noite agradável e sob entusiásticos aplausos dos presentes passaram pelo palco alegretense os melhores poetas, declamadores, amadrinhadores e amantes desta arte essencialmente gaúcha, para mostrarem os seus trabalhos e receberem as notas da comissão julgadora. O que fica de ensinamento é que a arte da declamação não morre nunca, pois ao ver-se alguns dos melhores e mais experimentados artistas gaúchos apenas na assistência do festival,viu-se também, novos valores chegando com méritos para honrar o dom de interpretação dos versos de um poeta.
Felizmente, Deus nos deu a graça de estarmos presente, convivendo e aprendendo com todos esses mestres dos versos xucros. Os resultados do festival estão aqui:

LINHA CAMPEIRA:
1. Os Três Joãos – de Jorge Claudemir Soares
Intérprete: Franco Ferreira Amadrinhador: Daniel Cannes
2. Pra Quem Cruza a Estrada – de Volmir Coelho
Intérprete: José Claudio Pereira Amadrinhador: Claudio Silveira.

LINHA PROJEÇÃO RIOGRANDENSE:
1. Trindade – de Bianca Bergmann
Intérp: Luciano Salerno Amadrinhador: Geraldo Trindade
2. O General – de Carlos Omar Villela Gomes e Túlio Urach
Intérp: Liliana Cardoso Amadrinhador: Geraldo Trindade

LINHA CAMPEIRA CASEIRA:
1. Reflexão – de Moacir D’Avila Severo
Intérp: Guilherme M. Ferreira Amadrinhador: Daniel Cannes
2. Retrato Abstrato da Querência – de Neiton Bittencourt Perufo
Intérp: Cristiano Ferreira Amadrinhador: João Batista de Oliveira

INTERPRETE:
1º - ROMEU WEBER – De Emalar o Destino, Encilhar a Vida e Cerrar Esporas – de Cristiano Ferreira Pereira.
2º - LILIANA CARDOSO - O General – de Carlos Omar Villela Gomes e Túlio Urach

AMADRINHADOR:
1º - GERALDO TRINDADE - Trindade – de Bianca Bergmann