MOMENTO DE REFLEXÃO!

Não faça nada daquilo que possas te arrepender, pois, se o arrependimento vier não terás o que fazer

sábado, 18 de outubro de 2008

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Jornal "Cidade" do dia 10/10/2008, noticiou a nossa participação na Sesmaria da Poesia!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

TARDES DO PAGO.

A mão que semeia
o chão do meu chão,
a terra que brota
o trigo do pão,
o sol que incendeia
a copa do mato
e segue o regato
por trás do capão.

O vôo da garça
revoando baixinho
buscando o peixinho
de prata brilhante,
feliz, saltitante
no espelho da água
espiando sem mágoas
barrancas distantes.

Enfeitam-se os campos
de pastos e gados,
o céu azulado
me mostra o que busco,
o sono dos justos
na estância do Pai,
bem manso e costeado.

É a paz que se deita
no tampo da tarde,
no solaço que arde
o clarim estridente,
Quero-Quero valente
defende seu ninho
e corre o potrinho
a golpes de asas.

Em frente da casa
no moirão da porteira,
o João-de-Barro ligeiro
que vai e que vem
carrega no bico
a terra molhada
do banhado da várzea
olaria que tem.

O brasino da canga
refresca na sanga
esperanças de um dia
tranqüilo morrer,
sem mágoa e sem carga
sem a cruz de viver
puxando carreta,
e "picaña" não ver.

O cusco pitoco
a sombra se enleva
dormindo na terra
sua pátria-terreiro,
e o galo vermelho
cantando de mau
e cuida o girau
do seu galinheiro.

A calma que mora
na vaca bragada,
rumina deitada
a sombra do umbu,
grunhe o inhandú
rondando o campo
buscando encantos
do pago xirú.

Oh! Quantas saudades
que trago das tardes,
no peito que arde
e embaça a visão;
Tardes do pago
te lembro no amargo
do meu chimarrão.

APOTEOSE...

Foto de encerramento do evento com todos os participantes, num clima de quero mais!

MESTRES 4

Um dos maiores poetas do Brasil, o uruguaianense Vaine Darde, emprestando o seu prestígio a estes humildes admiradores do seu trabalho.

MESTRES 3

Wilson Araújo: melhor intérprete da 13ª Quadra da Sesmaria da Poesia!

MESTRES 2

Grande pajador e declamador Pedro Junior da Fontoura.

MESTRES 1

É pouco, ou quer mais? Conviver com esses ícones da poesia xucra do Rio Grande: Jaime Brum Carlos, Valdemar Camargo, Patrocínio Vaz Ávila e Romeu Weber.

No palco da Sesmaria!



Daniel Cannes e Franco Ferreira, mostrando suas artes no palco da Sesmaria da Poesia.

Osório - RS 01

Almoço de recepção no CTG Estância da Serra, grande organização!

De pouso!

De pouso em Porto Alegre, agradecendo a benevolência de Nair Terezinha e seu produtor artístico (e esposo) Paulo Moreira, que nos acolheram na maior alegria. Gracias! Na foto: Franco, Paulo, Dione Ferreira e eu. (o Daniel, era o fotógrafo, hehehe).

APRESENTAÇÂO NO PALCO.

Franco Ferreira, amadrinhado por Daniel Cannes - grandes expressões da arte declamatória uruguaianense - no palco da 13ª Quadra da Sesmaria da Poesia - Osório RS, defendendo "Prelúdio a um campo morto.

PRELÚDIO A UM CAMPO MORTO.

Uma grota, uma sanga
e um rancho a beira-chão,
Assim era o meu rincão
na costa do Caiboaté.
A casa, tinha parapeito
onde, nas noites de lua
a alma se postava nua
pra assoviar um chamamé.

Um jardinzinho na frente
contraponteava o palanque,
um potreiro logo adiante
pra’o pastejar do aguateiro.
A Madre-silva de cheiro
sombreava a cachorrada,
que dormia esparramada
no conforto do terreiro.

Um açude, feito espelho
bem pro lado do nascente,
em que a lua espiava a gente
nas noites de Primavera;
onde as estrelas cadentes
mergulhavam incandescentes
pra esconder suas quimeras.

Bem no moirão da porteira
de frente pro corredor,
um João-de-barro chismeiro
no seu ofício de oleiro
se arvorou de morador.
De manhã, tocava alvorada
só pra acordar sua amada
e declarar o seu amor.

Naquele rancho campeiro
se aquerenciou a amizade,
ali morou a verdade
ajoujada com a bonança,
era o baú de lembranças
que eu carregava em glória,
pra guardar a minha história
dos bons tempos de criança.

Todo pássaro sai do ninho
no dia em que cresce a asa,
eu também saí de casa
e abandonei meu cantinho.
Amarguei reminiscências,
agora volto à querência,
cansado de andar sozinho.

Antes, não tivesse vindo
pra ver o que vejo aqui
o lugar em que nasci
com as cercas derrubadas.
Onde olho, é terra virada,
taipa e ronco de motor,
é o prelúdio do horror,
a própria essência do nada.

O sangue escuro da terra,
tingiu o campo do fundo,
abriu-se um sulco profundo
mais que na pampa – na alma.
A sanga que vagava calma
morreu por soterramento,
e a grota, por envenenamento
com a ganância do mundo.

No lugar da velha morada
restou um angico solito,
como o último milico
cobrindo uma retirada;
numa gesta desesperada
fincou pé na sua trincheira
na esperança derradeira,
de salvar a invernada.

Nem a sanga, nem a grota
resistiram ao progresso,
não assistiram o regresso
desse andarengo tordilho,
que sonhou legar aos filhos
a pampa íntegra e pura.
Porém, a volta foi mais dura,
que uma vida no lombilho.

Os sonhos somem no tempo
voam pra longe do alcance.
Rancho, potreiro e palanque
ficaram no pensamento;
somente o choro do vento
restou pra contar a história
sobrou apenas memórias
e o eco do meu lamento.

O clarim do João-de-barro,
não tocará mais na porteira,
nem a coruja breteira
descansará nas lonjuras,
só haverão desalentos
pra quem campereou sustento
no verde destas planuras.

Dou de rédeas no meu flete,
e saio batendo na marca,
com a sisma de um monarca
que perdeu o seu reinado.
Vou me arranchar no povoado
no balcão de alguma venda,
beber saudades da fazenda,
e ruminar o meu passado.

Venho basteriado de tempo,
e das andanças machaças;
vou afogar na cachaça
minha vocação de campeiro,
depois de velho... povoeiro,
sobrevivendo de changa.
me enterrem junto com a sanga
quando apagar meu luzeiro.

Poema participante da 13ª Sesmaria da Poesia Gaúcha, de Osório, em 27/09/2008.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Declamação.



Que grande honra! Mais um ano no palco da Semana Farroupilha, dividindo espaço com grandes poetas e declamadores gaúchos, ensinando e aprendendo muito, e antes de tudo levando o Rio Grande no peito, para que futuras gerações tenham esse mesmo orgulho, das nossas coisas.

SEIVA DA TRADIÇÂO.

O gaúcho, desde piazito, aprende
a ter amor pelo Rio Grande,
sustenta com o próprio sangue
o orgulho das coisas deste chão.
Traz guardados no coração
os mitos, lendas e histórias;
cultua a própria memória
e faz da memória a tradição.

Desde os tempos de antanho
quando tudo era selvagem,
que aqui nestas paragens
os índios bebiam um chá,
para os Guaranis: o Caá,
os Quíchuas diziam “mate”
o espanhol aceitou destarte,
e “el Chimarrón llevó para allá”.

O Rio Grande se afirmou
à força de pata e lança,
e, trouxe como herança
esta poção meio sagrada,
como prenda conquistada
da nossa cultura bugrina,
que se tornou continentina
pelo cisplatino, apatriada.

Em ranchos de chão batido,
ou mansões de coronéis,
cevada por mãos de anéis,
ou as calejadas de laço
se temperou como aço
aos costumes desta terra,
decretou as nossas guerras
e rasgou o próprio espaço.

Foi negociação, foi contrato,
nas horas de paz incerta,
foi o conselheiro alerta
de caudilhos peleadores,
foi cupido nos amores
clandestinos e escondidos,
foi força para os vencidos
e medalhas aos vencedores.

Quando a cambona assovia
uma toadinha sulista,
o Rio Grande reconquista
suas gestas de heroísmo,
a garra e o nativismo
rebrotam em cada mate,
histórias de lida e combate
reacendem o civismo.

Se a noite se acomoda
e apaga a luz pra dormir,
estrelas vem tremeluzir
no grande fogo de chão,
se entreveram no galpão
os de casa e os achegos,
dão uma folga pros pelegos
pra tomar o chimarrão.

Essência de folha chucra
redomona de lauréis
cumpre todos os papéis
de redentora de guerras,
congrega campo e serra
numa aura de energia,
e mantém a harmonia
entre os filhos desta terra.

Elixir de gosto amargo
adotado em quatro povos,
sobrevives nos mais novos
pela herança de seus pais,
na Argentina ou no Uruguai
é sabor que vence o tempo,
também fez arranchamento
nas terras do Paraguai.

Se a bomba enfrena o mate
num prenúncio de boa prosa,
a cuia potranca fogosa,
branqueia espuma na boca.
Junta-se a cultura fosca
ao mais brilhante saber,
pra partilhar o prazer
de beber a seiva tosca.

Chimarrão, bebida potra
de tradição dos antigos,
tu trazes junto contigo
dos nossos heróis, o cartaz
nos idos tempos, pra trás
ou no futuro lá adiante,
serás sempre o palanque
a cinchar a guerra e a paz.

Um dia quero meu filho
sorvendo um mate espumado,
neste ritual abarbarado
que em nosso meio se expande
misturando causos de sangue,
de potreadas e de escarcéus,
pra que carregue como troféu
este símbolo do Rio Grande.

Poesia participante do Festival temático da Semana Farroupilha - 2008.

CAUSO DE PESCADOR!



No palco de novo, na companhia do Dr. Alberto Moura, pra receber o prêmio pelo vice-campeonato em causo de pescador do Festival Temático da Semana do Rio Uruguai - 2008.

RIO URUGUAI DE NOVO!

Premiação pelo 2º Lugar em Poesia da Semana do Rio Uruguai - 2008

Legado a um rio quase morto.

As águas surradas de vento
acalantam, na noite, meu barco;
como mãe que embala nos braços
o doce ninar de um rebento,
o rio – sussurra lamentos,
e nega o peixe- que é seu,
talvez, cobrando a sua parte
de tudo que já me deu.

O remorso vem de carona
nas asas do vento frio,
os pensamento perdidos
me assaltam a mente vadia:
“Será que poderei um dia,
devolver a vida do rio?”
“Será que um dia meu neto,
não herdará um deserto,
e um mundo seco e doentio?”

Este sentimento funesto
rasa por sobre a água:
nas redes só restam mágoas
peixe, sequer, vem um resto,
talvez, o rio fez arresto
daquilo que ainda era seu,
e nas malhas me devolveu
as poucas sobras do nada,
somente malhas molhadas
com a água que já morreu.

Paciência... muita paciência!
O rio, como eu, é um valente.
Se busco a sobrevivência,
ele também quer viver!
Sua luta é permanente
pra manter suas virtudes,
e julgar as atitudes
daquele que o fez doente.

Sigo tentando a sorte
por noites e noites à fio,
enfrentando o vento frio
enquanto, ainda sou forte;
se eu abandonar a disputa
o manancial, continuará a luta,
mas, pra mim, será a morte.

Quiçá eu peça desculpas,
ao rio que me viu nascer?
Que um dia verei fenecer
por atos que eu cometi.
Matei o rio, do guri,
que será o meu herdeiro.
Onde fará seu pesqueiro?
O que tinha, eu destruí.

Quero deixar um recado
aos que virão no futuro,
por mais difícil ou mais duro
que lhes pareça o presente,
não culpem o rio, que é inocente;
culpem a mim, que o matei,
pois, no passado o maltratei
e fi-lo um rio indigente.

Deus, pintou a natureza
de regalo à humanidade,
e ainda teve a bondade
de nos dar a sapiência,
mas, tripudiei da ciência
e desprezei seus avios,
talvez, peça perdão ao rio,
e ele negue a indulgência.

Da vida, sobrou o arrependimento,
pois, parto com um peso na alma,
a morte, não trar-me-á a calma,
porque, aqui jaz meu sentimento.
Levo apenas reminiscências,
e deixo pra minha descendência
um rio quase morto, e um lamento.

Poesia premiada com o 2º Lugar no IVº Concurso de Poesia Temática do Rio Uruguai - 2008

Semana da Paz 2007 (3)

Certificação da Semana da paz 2007.
Coordenador da 4ªRT- Ivoné Colpo.

Semana da Paz 2007 (2)

Com minha familia e o homenageado da Semana da Paz, Silvio Aymone Genro.

Semana da Paz 2007!

Semana da Paz 2007 - Homenagem à Silvio Genro
Amadrinhadores Igor e Afonso Dutra (João Walter na técnica)

Rodeio do PTG Saraquá outra vez, 2007.

PEDRAS NO CAMINHO.

Na grande viagem da vida,
encontro pedras no caminho
que sobrepujo aos pouquinhos
deixando-as pelos beirais.

Amorfas pedras de estradas,
pedras grandes, pedras pequenas,
pedras quietas e serenas,
surradas de temporais.

Pedras de parcos valores;
Atrasos e dissabores
aos que caminham demais.

Não as desejo comigo...
Que fiquem no seu castigo
vagando nos pedregais.

PRÊMIO - Reculuta 2007.

Recebendo a premiação das mãos do Dr. Cesar Tasso Gomes.

Declamação e Premiação da Reculuta.

Contando o movimento do gaúcho na Semana Farroupilha-2007
Amadrinhado por Daniel Cannes

O TRANCO DO GAÚCHO.

Nos idos de pré-colombo,
o índio, andava à campo.
Nômades de mil recantos
recorriam a Cisplatina,
das serras de Santa Catarina
no berço do Rio Pelotas,
pelo litoral e encostas
até o Prata, na Argentina.

Um dia chegou do Norte
o branco desbravador,
com fama de conquistador
trouxe muita novidade,
restringiu a liberdade
do nosso índio pampiano
que passou a ser orelhano
da sua própria identidade.

O americano, então, andou
para dentro das missões,
abrandaram-se os corações
em nome do deus Tupã
abraçou a vida cristã
atrás da Cruz de Lorena
deixou de ser o “ventena”
para formar um grande clã.

O negro chegou dos mares
pra mexer na agricultura,
padeceu com as agruras
de povo que foi cativo,
mas, andou sempre altivo
fez da cor a referência,
e adotou esta querência
como seu pago nativo.

O português, o espanhol...
o índio e o africano,
por muitos e muitos anos
viveram em deslocamentos,
dormiram em acampamentos
pra demarcar as fronteiras,
e desfraldaram bandeiras
de lutas e movimentos.

Foi no lombo do cavalo
que o Rio grande se afirmou,
na sua anca engarupou
muitas histórias de guerra,
a saga farrapa encerra
todos os ideais de Bento,
Sepé e o seu juramento:
“Morrer, peleando na terra”.

O Seival e o Farroupilha
ao comando de Garibaldi
não fizeram fama debalde
ao rodar rumo a Laguna,
pois, nesta faixa reiúna
se moveram de surpresa
pra vencer a realeza
e afundar suas escunas.

O colono europeu, migrou,
pra cortar terra de arado.
O boi trabalhou pesado
pra puxar o arrastão,
com o italiano e o alemão
o Rio Grande andou pra frente
e movimentou sua gente
pra desenvolver este rincão.

Lá do interior de São Paulo
desceram pra cá os “birivas”
e formaram comitivas
de comércio e tropeadas,
gado, cavalos e muladas
riscaram o sul do Brasil
numa cruzada mercantil
por todas estas canhadas.

Quando chegaram os gringos
trazendo a “cobra grande”,
se alvoroçou o Rio Grande
com o rumo da evolução.
Sumiu da nossa visão
as tropas, gritos e berros
embarcaram no trem de ferro
as marcas da tradição.

Então, se acomodaram
andarengos e tropeiros,
domadores e lanceiros
ficaram sem ocupação.
O ronco do caminhão
substituiu o carro de boi
e o ludicismo se foi
na cauda do avião.

O gaúcho, se tornou povo
arrocinado às distâncias,
nunca escondeu a ânsia
de se abraçar ao sucesso
até almejou o ingresso
entre os povos soberanos
e se tornou vaqueano
nos caminhos do progresso.

Em cada canto de pátria
do Brasil de sul a norte,
aonde quer que aportes
acharás uma bombacha,
nestas andanças machaças
o Gaúcho fez costumes
e serve de vaga-lume
onde a riqueza se acha.

Cruzando campos e serras,
coxilhas e depressões,
do Litoral as Missões
do Chuí até Garruchos.
Nunca precisou de luxo,
apenas de galhardia
pra mostrar a todos que um dia
“assim se movimentou o gaúcho”.

Poema premiado com o 2º lugar na Reculuta da Poesia, festival temático da Semana Farroupilha - 2007.

PREMIAÇÂO.


Premiação do Festival Temático da Semana do Rio Uruguai - 2007.
2º Lugar - Poesia / 1º Lugar - Causo de Pescador




RIO URUGUAI

Herança Pesqueira.

A mareta açoita mais forte
a tardinha meio cinzenta,
a água gelada e barrenta
beija barrancas arenosas.
Minha mente prodigiosa
enfuna velas com o vento
e navego em pensamentos
nestas águas caudalosas.

Moro em cada instante
do anoitecer deste rio,
e trago por desafio
conservar este berçário,
que é parte do relicário
doação do Pai Divino
que amarrou o meu destino
como as contas de um rosário.

Vivo meu tempo costeando
as barrancas do Uruguai,
fui filho e hoje sou pai,
pescador de profissão,
nunca usei minhas mãos
pra exercer outro ofício,
chalaneio, quase por vício
e pesco por opção.

A tarde morre de manso
e o vento se arrefece,
até um biguá aparece
buscando o sarandizal,
garças sobrevoam o ninhal
num estridente alarido,
alvejando o colorido
das ilhas do banhadal.

O tajã... clarineia e revoa
prenunciando o fim do dia,
uma capivara arredia
se manda barranca abaixo
o ronco do bugio macho
ecoa pela flor d’água
um sorro late sua mágoa
costeando a beira do mato.

Dou nado para a chalana
e vou buscar meu sustento,
esqueço por um momento
que sou parte desta obra,
o que a natureza me cobra
é apenas o essencial:
Eu cuido do manancial
e o peixe é o que me sobra.

No trono em que varo águas
me sinto o próprio Netuno,
neste reinado noturno
meu barco engole espaços
os remos abrem os braços
em braçadas de vem-e-vai
querendo envolver o Uruguai
num longo e fraterno abraço.

O espinhel carregado
me enche de esperanças,
amanhã, minhas crianças
na mesa terão fartura,
as vezes a vida é dura
e as dificuldades imensas
mas, Deus dá a recompensa
à todas suas criaturas.

O peixe, é um alimento
consagrado no evangelho;
no dia em que ficar velho
quero continuar redeando,
aos meus netos ensinando,
que esse rio nos traz a vida
e quando eu ensejar a partida,
eles... continuarão pescando.

É a herança que eu deixo
à toda minha descendência,
a pureza e a aparência
deste rio que não é nosso,
e faço tudo que eu posso
pra manter a integridade
devolver pra humanidade,
recursos e não destroços.

Quando cruzar a fronteira
pro lado de trás do horizonte;
Talvez de lá, eu aponte
o rio que me deu a sorte,
de ouvir depois da morte
a música que me consola
o “chuá-chuá” das marolas
e o uivo do vento forte.

Quero morrer nestas águas,
que viu o guri e fez o homem;
no vento e na areia se somem
os sonhos de quem viveu mais
quando eu atender a Deus Pai
e abandonar este mundo,
quero um buraco bem fundo
nas barrancas do Uruguai.


Poesia premiada em segundo lugar na Concurso temático da Semana do Rio Uruguai - 2007.

2006 - PTG Saraquá

Contando de um bochincho, certa feita, De Don Jaime, lá no Piquete Saraquá- Uruguaiana- 2006.

LIVRE

Corro solto, corro potro
pelas trilhas do universo
coiceando estes meus versos
sem saber pra onde vou.

Corro potro, crina solta
em direção... o horizonte,
sem saber direito a fonte
do ventre que me gerou.

Corro potro sem destino

não há de surgir teatino,
que me consiga pealar.

Corro potro, sem arreios
não hão de fazer um freio
que me consiga calar.

"O primeiro soneto, ninguém esquece".